OS INTEGRANTES DA BANDA VAMPIRE WEEKEND NÃO SE VESTEM COMO ROQUEIROS, NÃO SE PORTAM COMO ROQUEIROS, MAS SÃO A SENSAÇÃO DO ROCK ATUAL. QUAL A EXPLICAÇÃO PARA ISSO?
Os membros da banda se conheceram enquanto frequentavam a universidade (Columbia University). Eles próprios produziram seu primeiro álbum depois de se formarem, enquanto faziam muitos trabalhos simultaneamente.
Em 2007, o terceiro single da banda, “Cape Cod Kwassa Kwassa”, foi o 67º colocado na lista de 100 melhores músicas do ano da Rolling Stone.
Membros da banda:
Ezra Koenig (vocalista, guitarrista)
Rostam Batmanglij (teclado, guitarra, 2ª voz)
Chris Tomson (baterista)
Chris Baio (baixista)
Explicar o êxito do grupo Vampire Weekend tem sido uma das tarefas favoritas dos críticos musicais ao redor do globo. Como uma banda de rock que não se veste como banda de rock, não se porta como banda de rock e às vezes não parece sequer tocar rock pode ser a sensação do gênero nesse início de década? Como quatro rapazes caretinhas que até outro dia assistiam à aula na Universidade Columbia, de Nova York, e compunham sobre o que observavam no campus, conquistaram o primeiro lugar na parada da revista americana Billboard? E isso logo na semana de lançamento de Contra, seu segundo álbum, mesmo sem possuir um esquema de divulgação?
A resposta pode estar no lugar mais óbvio: na música do quarteto. Em 2008, quando apareceram com o disco de estreia, Ezra Koenig (voz e guitarra), Rostam Batmanglij (teclados), Christopher Tomson (bateria) e Chris Baio (baixo) tiveram sua equação musical resumida como uma mistura de rock alternativo com música africana. Esses elementos realmente estavam presentes no som do grupo. Mas havia mais. Nos arranjos de cordas, por exemplo, dava para perceber que os integrantes não mencionavam Beethoven e Tchaikovsky em entrevistas da boca para fora. E no segundo CD a banda trata de alargar seu vasto espectro de inspiração.
Cousins, a primeira música a ganhar videoclipe, é basicamente um frevo. Um frevo meio torto, com sinos natalinos e letra nonsense, mas ainda assim um frevo. Horchata, que abre o disco, se destaca pela marimba e outros instrumentos percussivos executados por Mauro Refosco, brasileiro radicado em Nova York que faz sucesso no grupo Forró in The Dark,. Já Diplomat’s Son casa trechos de músicas do grupo de reggae jamaicano Toots & The Maytals e da rapper anglo-cingalesa M.I.A.. O enredo da canção seria inspirado num célebre filho de diplomata que revolucionou o rock no final dos anos 70: Joe Strummer, finado guitarrista e vocalista do grupo The Clash. A letra cita 1981, ano em que o Clash mandou para as lojas o seu histórico álbum triplo Sandinista!.
Joe Strummer e companhia foram apedrejados quando tentaram abrir seu leque sonoro. O Vampire Weekend já nasceu com o leque aberto, flertando com África, Brasil e Jamaica sem o menor pudor — e vem se tornando cada vez mais popular. Vai ver, a ficha só está caindo agora. Foi preciso o Clash peitar os punks com seus dubs, Paul Simon ter levado cascudos da crítica por juntar música africana e pop rock em Graceland, Peter Gabriel ter botado um festival e um selo de world music de pé na raça – ou seja, tanta gente ter esmurrado a ponta da faca – para que hoje o Vampire Weekend chegasse ao topo. Os precursores podem se orgulhar. A bagunça polirrítmica dos seus pupilos é do balacobaco.
A banda está sendo processada em US$ 2 milhões pela garota da capa de seu segundo álbum, “Contra”.
Lançado no começo deste ano, o álbum tem na capa uma foto da garota Kirsten Kennis, tirada em 1983 pelo fotógrafo Tod Brody.
A foto também foi utilizada na campanha de promoção do álbum, e causou muita especulação sobre a identidade da garota.
De acordo com o site TMZ, Kirsten abriu um processo Los Angeles alegando que a assinatura que consta na autorização de imagem do álbum foi forjada.
Kirsten diz que não tinha nem ideia que sua imagem estava sendo usada na capa do álbum, e disse que o grupo nem verificou a legitimidade de sua assinatura.
O vocalista dos Vampire Weekend, Ezra Koenig, disse, em declarações ao NME, que é a primeira vez que qualquer um deles [da banda] é processado e, por isso, “ainda estamos a aprender como funciona”, disse Ezra. O cantor adiantou ainda que “Não há nada que possamos dizer sobre isto. Não estamos a tentar ser misteriosos, mas imagino que nos próximos meses haverá muito que falar sobre isto. Dado que é a primeira vez, nós queremos fazer tudo corretamente.”
A XL Recordings, editora da banda, veio também dizer em comunicado que “Como é prática, os Vampire Weekend e a XL Recordings licenciaram os direitos de autor para usar a fotografia na capa do [álbum] Contra nos termos do contrato que contém representações e garantias que autorizam o uso dessa fotografia. Agora que o processo foi arquivado, estamos ansiosos por ver o caso resolvido em tribunal. Daremos a nossa resposta depois de revistas todas as alegações. Como prática nossa, não avançaremos quaisquer comentários sobre as alegações pendentes neste momento.”
Vampire Weekend em Lisboa, Campo Pequeno.
Quarta (10/11/2010), 22h. Cerca de 4 mil pessoas.
E se recuássemos no tempo até 1986 para dizer a Paul Simon que a fórmula que ele acabara de experimentar em “Graceland” iria ter um eco imenso em 2010? Provavelmente iria ser divertido ver a sua reacção, imaginamos nós dividida entre perplexidade e orgulho. O certo é que a mistura única de pop com world music lançou directamente para o futuro ideias em quem só pegou quem quis – ou quem soube. E este é o caso dos Vampire Weekend.
Imaginem-se quatro recém-licenciados norte-americanos, a residir na mui cosmopolita cidade de Nova Iorque, que sentem no sangue o pulsar da música. Juntam-se em estúdio e o resultado é “Vampire Weekend”, um disco que agarra nas ideias de Paul Simon e une os ritmos de África, os sons exóticas das Caraíbas e as paisagens tropicais da Jamaica a uma estética faça você mesmo, digna do punk nova-iorquino. Com as doses certas de inocência e originalidade, o resultado, inesperado e viciante em 2008, repetiu-se em 2010 com “Contra”. Estava feita uma banda para o futuro, que esta noite conquistou Lisboa.
A ponte começada por Paul Simon está cada vez mais sólida. A worldbeat dos Vampire Weekend em ‘Holiday’, logo a abrir, mostra que a banda sabe bem como agarrar o público português, ansioso por receber o quarteto: com muita energia. E porque é de boas energias que se faz um concerto, toca a lançar ‘White Sky’. Ah, uma delícia este tema que evoca tanto o sol caribenho, como a pop mais refinada dos Animal Collective. A sua postura jovem e elegante – já foram considerados a banda mais bem vestida – ajuda a criar uma identificação imediata com o público, que eufórico faz voar uma bandeira de Portugal para palco. Em jeito de recompensa, Ezra Koenig interpreta ‘I Stand Correctly’ (de ritmo muito rockabilly) de bandeira aos ombros.
Mas é nos arranjos e na integração dos elementos transfonteiriços – cada vez mais globais e esbatidos – que a banda ganha, ao mostrarem-se cada vez mais refinados e apurados. Ouça-se ‘California English’ em regime de apoteose, ou o “musicão” que é «Cousins’ arriscamos dizer que é um hino -, que deixa bem latente a estética punk que reside nos Vampire Weekend. Sempre com um pé em Nova Iorque e outro em África.

Como quem diz «podem respirar um pouco agora», a banda introduz o belo interlúdio (neste festim de energia) que é ‘Taxi Cab’. O toque de classe que o violoncelo de Chris Baio acrescenta é, diga-se de passagem, um mimo. Aproveite-se para fazer dois elogios: ao alinhamento, que foi perfeitamente pensado e balançado; ao público, que hoje tornou este espectáculo bem mais agradável e bonito. Porquê? Porque mostrou em ‘One’ que o concerto do SBSR não foi esquecido. «Blank has got a new face» continuava na ponta da língua de toda a gente e foi o mote para o regresso à festa de traços mais punk que todos queriam.
E ‘Giving Up The Gun’ só ajudou a mostrar a massa de que os Vampire Weekend são feitos. A música não cansa, resulta belíssima em palco e há-de ser das melhores canções pop da década. Nesta altura só não dança quem não quer e ‘Oxford Comma’ aterra quase dionisíca no meio de uma das festas mais coloridas que o Campo Pequeno recebeu.
E o falso final chegou e durou dois minutos. ‘Horchata’, ‘Mansard Roof’ e ‘Walcott’ -outro daqueles temas que fica em loop na nossa cabeça – vieram justificar o elogio de Rostam, o teclista: «vocês são bons cantores». Não, vocês é que são. Voltem quando quiserem, aqui são sempre bem-vindos, Vampire Weekend.
Download – Albúm – Contra 2010
Download – Albúm – MTV Unplugged 2010
Download – 1º Albúm – Vampire Weekend
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